quarta-feira, 28 de junho de 2017

Silvio Romero - O Pai do Folclore


Silvio Romero 






Perfil do Acadêmico

Sílvio Romero (Sílvio Vasconcelos da Silveira Ramos Romero), crítico, ensaísta, folclorista, polemista, professor e historiador da literatura brasileira, nasceu em Lagarto, SE, em 21 de abril de 1851, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 18 de julho de 1914. Convidado a comparecer à sessão de instalação da Academia Brasileira de Letras, em 28 de janeiro de 1897, fundou a cadeira nº 17, escolhendo como patrono Hipólito da Costa.
Cadeira: 
17
Posição: 
Fundador
Sucedido por:
Data de nascimento: 
21 de abril de 1851
Naturalidade: 
Lagarto - SE
Brasil
Data de falecimento: 
18 de julho de 1914
Local de falecimento: 
Rio de Janeiro, RJ





















Biografia 

Sílvio Romero (Sílvio Vasconcelos da Silveira Ramos Romero), crítico, ensaísta, folclorista, polemista, professor e historiador da literatura brasileira, nasceu em Lagarto, SE, em 21 de abril de 1851, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 18 de julho de 1914. Convidado a comparecer à sessão de instalação da Academia Brasileira de Letras, em 28 de janeiro de 1897, fundou a cadeira nº 17, escolhendo como patrono Hipólito da Costa.
 Foram seus pais o comerciante português André Ramos Romero e Maria Joaquina Vasconcelos da Silveira. Na cidade natal iniciou os estudos primários, cursando a escola mista do professor Badu. Em 1863, partiu para a corte, a fim de fazer os preparatórios no Ateneu Fluminense. Em 1868, regressou ao Norte e matriculou-se na Faculdade de Direito do Recife. Formou, ao lado de Tobias Barreto (que cursava o 4º. ano quando Sílvio se matriculou no primeiro) e junto com outros moços de então, a Escola do Recife, em que se buscava uma renovação da mentalidade brasileira. Sílvio Romero foi, no início, positivista. Distinguiu-se, porém, dos que formavam o grupo do Rio, onde Miguel Lemos levava o Comtismo para o terreno religioso. Espírito mais crítico, Sílvio Romero se afastaria das idéias de Comte para se aproximar da filosofia evolucionista de Herbert Spencer, na busca de métodos objetivos de análise crítica e apreciação do texto literário.
Estava no 2º. ano de Direito quando começou a sua atuação jornalística na imprensa pernambucana, publicando a monografia “A poesia contemporânea e a sua intuição naturalista”. Desde então, manteve a colaboração, ora como ensaísta e crítico, ora como poeta, nas folhas recifenses, entre elas A Crença, que ele próprio dirigia juntamente com Celso de Magalhães, o Americano, o Correio de Pernambucano, o Diário de Pernambuco, o Movimento, o Jornal do Recife, A República e O Liberal.
Assim que se formou, exerceu a promotoria em Estância. Atraído pela política, elegeu-se deputado à Assembleia provincial de Sergipe, em 1874, mas renunciou, logo depois, à cadeira. Regressou ao Recife para tentar fazer-se professor de Filosofia no Colégio das Artes. Realizou-se o concurso no ano seguinte e ele foi classificado em primeiro lugar, mas a Congregação resolveu anular o concurso. A seguir, defendeu tese para conquistar o grau de doutor. Nesse concurso Sílvio Romero se ergueu contra a Congregação da Faculdade de Direito do Recife, afirmando que “a metafísica estava morta” e discutindo, com grande vantagem, com professores como Tavares Belfort e Coelho Rodrigues. Abandonou a sala da Faculdade; foi então submetido a processo pela Congregação, atraindo para si a atenção dos intelectuais da época.
Em fins de 1875, transferiu-se para o Rio de Janeiro. Foi para Paraty, como juiz municipal, e ali demorou-se dois anos e meio. Em 1878, publicou o livro de versos Cantos do fim do século, mal recebido pela crítica da Corte. Depois de publicar Últimos harpejos, em 1883, abandonou as tentativas poéticas. Já fixado no Rio de Janeiro, começou a colaborar em O Repórter, de Lopes Trovão. Ali publicou a sua famosa série de perfis políticos. Em 1880 prestou concurso para a cadeira de Filosofia no Colégio Pedro II, conseguindo-a com a tese “Interpretação filosófica dos fatos históricos”. Jubilou-se como professor do Internato em 2 de junho de 1910. Fez parte também do corpo docente da Faculdade Livre de Direito e da Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro.
No governo de Campos Sales, foi deputado provincial e depois federal pelo Estado de Sergipe. Nesse último mandato, foi escolhido relator da Comissão dos 21 do Código Civil e defendeu, então, muitas de suas ideias filosóficas.
 Na imprensa do Rio de Janeiro Sílvio Romero tornou-se literariamente poderoso. Admirador incondicional de Tobias Barreto, nunca deixou de colocá-lo acima de Castro Alves; além disso, manteve, durante algum tempo, uma grande má-vontade para com a obra de Machado de Assis, contra o qual chegou a produzir ataques de impressionante baixeza. Sua crítica injusta motivou Lafayette Rodrigues Pereira a escrever a defesa de Machado de Assis, sob o título Vindiciae. Como polemista deve-se mencionar ainda a sua permanente luta com José Veríssimo, de quem o separavam fortes divergências de doutrina, método, temperamento, e com quem discutiu violentamente. Nesse âmbito, reuniu as suas polêmicas na obra Zeverissimações ineptas da crítica (1909).
Sílvio Romero foi um pesquisador bibliográfico sério e minucioso. Preocupou-se, sobretudo, com o levantamento sociológico em torno de autor e obra. Sua força estava nas ideias de âmbito geral e no profundo sentido de brasilidade que imprimia em tudo que escrevia. A sua contribuição à historiografia literária brasileira é uma das mais importantes de seu tempo. Inepto para a apreensão estética da arte literária, limitou-a a seus aspectos sociológicos, no que, a bem da verdade,  fez escola no Brasil. Era membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa e de diversas outras associações literárias.
Recebeu o acadêmico Euclides da Cunha.

Bibliografia

Cantos do fim do século, 1878.
A filosofia no Brasil, 1878.
Interpretação filosófica dos fatos históricos, 1880.
A literatura brasileira e a crítica moderna. Ensaio de generalização, 1880.
Introdução à história da literatura brasileira, 1882.
O Naturalismo em literatura, 1882.
Últimos harpejos, 1883.
Estudos de literatura contemporânea, 1885.
Contos populares do Brasil, 1885.
Estudos sobre a poesia popular do Brasil, 1888.
Etnografia brasileira, 1888.
História da literatura brasileira, 2 vols., 1888 (2ª. ed. 1902; 3ª. ed. 1943, organização e prefácio de Nélson Romero, 5 vols.).
A filosofia e o ensino secundário, 1889.
A história do Brasil ensinada pela biografia de seus heróis, 1890.
Parlamentarismo e presidencialismo na República, cartas ao Conselheiro Rui Barbosa, 1893.
Ensaios de Filosofia do Direito, 1895.
Machado de Assis, 1897.
Novos estudos de literatura contemporânea, 1898.
Ensaios de sociologia e literatura, 1901.
Martins Pena, 1901.
Parnaso sergipano, 2 vols., 1904.
Evolução do lirismo brasileiro, 1905.
Evolução da literatura brasileira, 1905.
Compêndio de história da literatura brasileira, em colaboração com João Ribeiro, 1906.
Discurso de recepção de Euclides da Cunha na ABL, 1907.
Zeverissimações ineptas da crítica, 1909.
Da crítica e sua exata definição, 1909.
Provocações e debates, 1910.
Quadro sintético da evolução dos gêneros na literatura brasileira, 1911.
Minhas contradições, 1914.

A Família




Textos escolhido
A critica sobre Machado de Assis

“Não tendo, por circunstâncias da juventude, uma educação científica indispensável a quem quer ocupar-se hoje com certas questões, e aparecendo no mundo literário há cerca de 25 anos, o sr. Machado de Assis é um desses tipos de transição, criaturas infelizes, pouco ajudadas pela natureza, entes problemáticos, que não representam, não podem repreentar um papel mais saliente no desenvolvimento intelectual de um povo.”
 (…) Natureza eclética e tímida, sem  auxílio de uma preparação suficiente, entrou a ser um parasita, espécie de comensal zoológico, vivendo à custa de uma combinação de classicismo e do romantismo. Não teve força bastante para romper com ambos, e foi sempre vacilante em seus cometimentos.
 (…)  Pode iludir e ilude ainda alguns ignorantes pela palavrosidade de seus períodos ocos, vazios, retortilhados e nada mais. Sem convicções políticas, literárias ou filosóficas, não é, nunca foi um lutador. Este auxiliar de todos os ministérios, esse rábula de todas as ideias é, quando muito, o conselheiro da comodidade letrada. O que ele quer é representar o seu papel equívoco. O autor de Brás Cubas, bolorento pastel literário, assaz o conhecemos por suas obras, e ele está julgado. Continue a burilar frases inúteis, a produzir suas bombinhas da China, mas tenha cuidado de conter-se na vacuidade embaumée pelos elogios de seus comparsas inconsiderados.”
(…) o estilo machadiano recusa justamente o alarde, seja o da retórica parnasiana, seja o da “ousadia” romântica. E, ao invés da transgressão ruidosa dos modernistas, opta pelo caminho mais sutil da ironia, como se sua escrita evocasse a cada página não a gargalhada mas o sorriso ameno, leve mover de lábios. 






A Vida em Lagarto-SE, Brasil



  • Casa térrea edificada em 1822,local onde viveu Silvio Romero dos cinco anos aos treze anos.Localizada na rua Major Mendonça,lagarto,imóvel preserva suas








  • Lagarto,vila de sergipe em que Silvio Romero nasceu.reprodução fotográfica do livro "Itinerário de silvio romero",por Silvio Rabelo-Livraria José Olimpio Editoria,1944.

 

  • Grupo escolar Silvio Romero.obs.:atual sede do memorial de lagarto.Lagarto-se




Casa térrea edificada em 1822,local onde viveu Silvio Romero dos cinco anos aos treze anos.Localizada na rua Major Mendonça,lagarto,imóvel preserva suas características de construção do século XIX





Casa grande do engenho "Moreira",na qual Silvio Romero viveu até os cinco anos de idade



*

*
  • A FUNÇÃO DA CRÍTICA
Não deixa de ser coisa perigosa o publicar neste pais um livro de crítica. Além da falta absoluta que existe aqui desta ciência e disciplina de espírito, acresce que os nossos ledores, grandes e pequenos, como bons burgueses, estão tranquilíssimos com tudo quanto os cerca, e repelem soberbamente aquilo que os possa perturbar.
Seus prejuízos contra o espírito crítico, quando pretendem revestir-se de um aspecto sério, resumem-se nisto: “este país é novo, e sua literatura nascente; a crítica longe de acoroçoar desanima; ela é, pois, muito prejudicial.” É coisa que se me tem repetido algumas dúzias de vezes. O disparate é transparente. Aquilo envolve uma falsa idéia do que seja a nova ciência de críticar, sua força e seu alcance. Em que pode prejudicar ao desenvolvimento espiritual de um povo o estudo que mostre-lhe quais as suas conquistas históricas e suas aptidões imanentes? Longe de ser-lhe nocivo, é-lhe de todo animador; e, para mostrá-lo, basta lembrar o exemplo da Alemanha, cuja literatura tomou o soberbo ascendente, que a distingue, fundada na crítica, depois do grande movimento provocado por Lessing.
A nós que temos vivido de contrafações indigestas, a nós que não temos vida própria, que somos um dos povos mais deteriorados do globo; que, espécie de contrabandistas do pensamento, não temos a forma das grandes conquistas e das grandes verdades da ciência, só a crítica, a tão desdenhada crítica, nos pode preparar um futuro melhor.
Ela, aqui, não deve limitar-se ao empenho de mostrar o largo caminho que nos cumpre trilhar; deve, antes de tudo, desobstruir o terreno, juncado de velhos preconceitos e falsidades; deve alçar o látego destruidor e desfazer as legendas, para afirmar a luz.
Neste ponto interrompe-me um pobre de espírito: “mas isto é escrever com paixão; é ser bilioso...” A frase é da moda; mas não cheira bem.
Sim, e escrever com paixão, isto é, com pureza e verdade; é ser apaixonado, isto é, ter a nobreza das boas convicções e até dos bons estímulos.
Para certa gente, escrever sem paixão eu sei o que quer dizer: é faltar à consciência e à dignidade, ter a cabeça cheia de parvoíces, que se derramam sobre o papel; é chafurdar-se constantemente no pestilento pélago dos elogios mentidos e das bajulações indecorosas. Escrever sem paixão é repetir, em todos os tons possíveis, as velhas frases louvaminheiras, que povoaram este país de gênios e de prodígios, de sábios e de brilhantes; gênios e sábios em alguns medíocres, que nos têm dado uns folhetins... prodígios e brilhantes alcatifando os nossos rios gigantescos e as nossas selvas seculares...
Quem ousa desafinar no meio do geral concerto é apontado nada menos do que como “um invejoso das glórias alheias”.
A inveja vem a ser assim o incentivo que dirige o crítico no Brasil!...
Em que vale, portanto, o sacrifício de proclamar a verdade a este povo, correndo o risco de ser apontado como o possuidor de um sentimento repugnante?
Em nada.
Resta, porém, sempre a consolação de haver contribuído com alguma coisa para derrocar o podre edifício de velhos erros, e limpar a atmosfera que nos sufoca. Di-lo-ei, pois:
A vida espiritual brasileira é pobre e mesquinha, desconceituada e banal para quem sabe pensar a luz de novos princípios. Aferida pelo moderno método de comparação, inaugurado há muito nas literaturas europeias, ostenta-se caprichosamente estéril. A força de desprezarmos a corrente de nossa própria história e pormo-nos fora do curso das idéias livres, eis-nos chegados ao ponto de não passarmos de ínfimos glosadores das vulgaridades lusas e francesas; eis-nos dando o espetáculo de um povo que não pensa e produz por si..
Todos os nossos pequeninos movimentos literários são eloquentes para atestá-lo.
Basta considerar, por agora, a renovação romântica deste século com seu fruto predileto, o Indianismo. Nas grandes nações da Europa, como a Inglaterra e a Alemanha, o romantismo foi, em parte, uma volta aos sentimentos populares, uma ressurreição do passado no que ele tinha de mais aproveitável. Não assim entre nós. O nosso velho lirismo, com sua veia epigramática, que teve um cultor em Gregório de Matos, e um representante em Gonzaga, foi esquecido. A velha modinha foi abandonada, seu alcance desdenhado, sua música preterida e as imitações francesas nos assoberbaram. Desprezada a vida histórica, atiramo-nos aos desvarios do ultrarromantismo posterior à revolução de Julho, com todos os seus enganos e meticulosas fascinações. A crítica não nos ensinou a produzir; os elementos da nossa história e do nosso pensamento não foram elucidados. O papel dos três concorrentes da nossa população não foi indicado, e um falso sentimento de nacionalidade jogou-nos para o caboclo, e glorificamo-lo.
Compreendo que na aridez do século passado, quando a literatura da metrópole dava o triste espetáculo de homens que acalentavam frases e tropos retóricos, julgando produzir idéias, compreendo que, então, dois homens de talento elevado, Durão e Basílio, escrevendo na Europa, voltados para a pátria e aproximando-se da natureza, nos decantassem o selvagem.
A romântica brasileira, porém, que não entendeu nem a Basílio, nem a Durão, apostou-se a desdenhar os outros elementos da vida nacional, concentrando-a exclusivamente no caboclo.
Eis toda e falsidade.
Nossa poesia popular não foi estudada; nossas lendas, nossos costumes ficaram despercebidos; a ciência da crítica, que renovara o antigo terreno da filologia, das criações mitológicas e religiosas, o antigo terreno das primeiras manifestações humanas, nos ficou de todo fora do alcance.
Dizem que um dos méritos do movimento romântico europeu é haver contribuído para tão fecunda renovação.
No Brasil passaram-se as coisas diversamente. A romântica brasileira teve o prestígio de falsificar e obscurecer o estudo de nossas origens, e acumular trevas sobre os três primeiros séculos de nossa existência.
Aqueles que, como o escritor destas linhas, pretendem preparar o balanço do que fomos para indicar o que devemos fazer na hora atual, são espíritos que de todo romperam com as tradições de desconceituado sistema.
Atravessamos uma época de crise para o pensamento nacional: na política e na literatura o momento é grave. Numa, como noutra, nos falta a força própria. Bem como na ordem social nos falha a vida do município e a dignidade do trabalho independente, assim nas letras falece-nos o peso das convicções maduras e a sublime audácia dos espíritos emancipados.
E, todavia, é força dizê-lo, a velha romântica brasileira, com seu Indianismo; a pobre filosofia que nos ensinam, com suas sofisticarias indignas, estão mortas, como desacreditados se acham os dois bandos políticos, que tanto nos hão degradado. E é mister caminhar... O futuro, pois, deste povo não está nos poetas decrépitos, que lhe insuflam os males instintos; nos seus romancistas fabulistas, que lhe desnorteiam o critério; nos seus parlamentos e ministros, que o degradam e conspurcam com a mentira; nos seus grandes mágicos, que sabem todas as línguas e todas as ciências...
O futuro deste país deve estar nas convicções sinceras, nos caracteres intransigentes, sacrificados a honra, disseminados por aí além, desdenhados pelos poderosos do dia; e que ousam dizer a verdade ao povo, como ao rei; não a pretendida verdade dos declamadores; mas a verdade da história, a verdade da ciência.
Pelo que me toca, ela é Mein Eins und Alles, na frase do poeta. Isto só me basta. Estou acostumado com o abandono e o desdém.
Para concluir:
Os diferentes capítulos que formam este opúsculo foram quase todos, em épocas diversas, publicados no Recife e recebidos com indiferença por uns, e com indignação por outros. Fiquei satisfeito... Hoje que aparecem formando o seu corpo natural num volume, desejo-lhes o mesmo acolhimento. Isto para mim é um sintoma; neste país aquilo que muito agrada, tenho a certeza de que não presta.
Este pequeno volume faz parte de uma série de trabalhos meus aparecidos pela maior parte na imprensa provinciana, e que agora vão saindo em livros, sob a designação Oito anos de jornalismo.
A Filosofia no Brasil, já publicada, é o primeiro volume da série, a que também pertencem os Cantos do fim do século, já aparecidos, e outras obras, que seguir-se-ão. São trabalhos escritos e publicados para ocorrer às necessidades da colaboração jornalística, durante oito anos (1869-1876), que vivi em Pernambuco.
Hoje, passando por indispensáveis alterações, aparecem formando cada um seu todo compacto e natural. E que o pensamento de dar-lhes, oportunamente, essa forma, presidiu a sua confecção.
Possa a circunstância de que foram todos eles escritos entre os dezoito e os vinte e cinco anos, isto é, feitos por um moço, ainda naquele tempo, com a alma cheia de todas as santas ilusões da idade dos sonhos, servir-lhes de desculpa aos defeitos, se e que, non le plus esclave, mais le plus valet de tous les peuples, para falar como P. L. Courrier, sente ainda algum pendor para a equidade.
Fevereiro de 1880.
(A literatura brasileira e a crítica moderna. Ensaio de generalização, 1880.)




FATORES DA LITERATURA
[...]
A popularidade imensa, e, em mais de um ponto, perfeitamente exagerada dos livros de crítica artística e literária de Hippolyte Taine, trouxe a crença geralmente admitida da capacidade mágica de três palavras para a explicação completa dos fenômenos literários e congêneres.
Meio, raça e momento são a trindade portentosa do criticar contemporâneo; servem para solver todas as dificuldades.
Onde encontram um fato qualquer fora do comum recorrem muitos ao meio, e o façanhudo fator aparece e arreda os embaraços.
Outros deixam de lado o meio e agarram a muleta do momento; alguns, finalmente, calçam as botas da raça.
Não quero, nem posso contestar a influência de qualquer destes fatores no desenvolvimento e na formação dos produtos literários. Bem pelo contrário, muitas vezes tenho recorrido também a eles e ainda agora vou de novo recorrer.
Mas sustento que, só por si, eles são incapazes de revelar, de esclarecer o problema, todo o segredo dos gênios e dos grandes talentos das letras...
Para torná-lo bem claro, não tenho necessidade de empregar grande esforço e pesquisar grandes recursos. É bastante olhar para uma fase qualquer de uma literatura notável.
Seja a Inglaterra, ou seja a Alemanha, ou seja a França em alguma hora decisiva do XIX século.
Tome-se o primeiro destes países nas três iniciais décadas do século.
O momento, o meio e a raça são os mesmos; como explicar só por eles Byron, Wordsworth, Shelley, Keats, tão diversos entre si?
Repare-se que não falo no escocês Walter Scott, nem no irlandês Thomas Moore.
Como explicar no romantismo de 1830, em França, Lamartine, Hugo, Musset, Balzac, Vigny, tão dessemelhantes. A raça, o meio e o momento foram os mesmos. É que nestas inquirições tomam-se sempre esses elementos como tudo, neles encerra-se a totalidade dos agentes e reagentes e esquece-se um fator primordial, um núcleo indispensável, uma força viva, um centro de energia, a individualidade.
Além da raça, que é geral para um povo, para uma nação dada, além do meio, que também é geral pelo menos para uma grande fração desse povo, além do momento que também é geral ao menos para cada geração desse mesmo povo, e preciso que o crítico assinale e dê conta de alguma coisa de inicial, de primitivo, de fundamental, a individualidade, que em cada homem é uma resultante obscura de toda evolução cósmica e humana, a resultante de um passado indeterminado pela complexidade inexplicável de sua indefinita duração.
Quero com isto apenas deixar assentado que os fatores de Taine não explicam tudo, que eles são muito bons apenas como agentes modificadores de um elemento importantíssimo, a individualidade, considerada esta como um centro, uma soma de energias, um núcleo de força e ação.
Assim considerada, ele escapa ao influxo da crítica, é uma espécie de pressuposto, de substratum irredutível.
Só os três fatores de Taine é que podem ser submetidos ao exame da história. Isto posto, qual deles tem mais contribuído para a formação, a especialização, a diferenciação do caráter brasileiro?
A raça, tenho sempre eu suposto; o meio, tem sempre respondido um inteligente e destro crítico brasileiro, Araripe Júnior.
Convém examinar isto.
 “A questão da história da literatura nacional”, diz ele, “mais do que outra, entendo só pode ser resolvida pela concentração das nossas vistas sobre o meio físico. É o único fator estável de nossa história, o único que se consegue acompanhar, sem soluções de continuidade.”
Sinto estar em desacordo com o ilustre crítico. O meio físico, que também foi contemplado neste livro em capítulo especial, é para mim um agente de diferenciação, e, por isso mesmo, não o elemento estável e resistente.
A unidade nacional é garantida, a meu ver, pelos agentes morais e pela energia étnica.
Foram as qualidades morais e intelectuais do colonizador, ajudado pelas raças a que aliou sua cultura, suas letras; religião, legislação, costumes, indústrias, etc., que mantiveram o desenvolvimento unitário do Brasil.
Nosso problema histórico se me afigura ser este: indicar a formação do povo brasileiro, como um produto sociológico especial, distinto do português.
Para isto deve-se considerar, com os fatos, o colonizador europeu como o elemento principal de nossa formação, e em seguida mostrar os elementos que se lhe juntaram, que o alteraram até certo ponto, produzindo o brasileiro.
É claro que se o português não sofresse aqui influência nenhuma estranha, o Brasil seria a reprodução de Portugal.
O brasileiro mostra-se, porém, diferenciado do português. Qual a razão? Por efeitos do meio físico principalmente, diz o Dr.Araripe. Por efeito principalmente das raças com que ele tem cruzado, digo eu, e parece-me que mais acertadamente.
O meio exerceu e vai exercendo, não resta dúvida, entre nós, grande ação; mas, sendo ele um agente primordial para a formação primitiva das raças e para a explicação das civilizações autóctones, nas civilizações transplantadas, sobre povos que imigraram já de posse de suas qualidades históricas, o meio físico, sendo um fator ainda muito importante, não é, contudo, o principal.
Existem disto provas por toda a parte.
Que é que mantém a diversidade entre os povos que na Europa ocupam a mesma zona e o mesmo clima há muitos séculos? Será o meio idêntico entre muitos deles? Evidentemente são as suas qualidades étnicas e suas tradições históricas.
Que é que estabelece a distância na América entre as nações que experimentam quase o mesmo clima? São ainda as diversidades de raça e de tendências morais e intelectuais.
Os meios eram tudo para a humanidade primitiva e pré-histórica.
Uma vez estabelecidas as raças históricas, uma vez entrados, como estão, nos tempos atuais, os povos não são mais um joguete dos climas.
Há uma muralha que representa muitos milênios de luta em que a humanidade adquiriu todas as qualidades, que hoje a distinguem. Os climas passaram para o segundo plano e os agentes étnicos, fisiológicos e morais, tomaram-lhes a dianteira. Em nossa história o fator permanente, nos quatro séculos já percorridos, tem sido o português. Em sua passagem para o brasileiro, é ainda a um elemento etnológico, é à mestiçagem, que se deve pedir a explicação do fenômeno. O clima fica em segundo plano.
O clima, tomando-o na acepção mais geral, insisto em dizer, foi um agente valentíssimo na formação das raças e das civilizações autóctones.
Nas épocas propriamente históricas sua ação tem continuado; mas já não é apreciável, ou, pelo menos, não o é tanto quanto o fenômeno dos mestiçamentos dos povos.
Durante muitos milênios pode ele formar as raças pré-históricas e esboçar os povos atuais. Mas a sua ação e tão lenta, que não se deixa notar nitidamente nas civilizações modernas.
Duvido que haja um antropologista capaz de determinar com segurança quais as transformações experimentadas nos últimos dois mil anos, pelas populações da Europa, transformações produzidas só pelo clima.
Quais as modificações operadas pelo meio nos povos indo-germânicos, imigrados para o ocidente? A história não sabe responder.
Tão longe quanto é possível subir na corrente dos tempos, logo que os helenos, os latinos, os celtas, os germanos, etc., aparecem na história, já se nos antolham com seus caracteres distintivos. O mesmo pode-se dizer das velhas raças semíticas e das supostas turanas.
O mais assombroso exemplo da influência do clima que se conhece é a exercida sobre os arianos da Índia. Comparados aos da Europa, nota-se-lhes uma enorme distância. Mas, quantos milhares de anos não trouxeram o estupendo resultado? E este mesmo por sua lentidão é hoje apontado post factum e não foi coisa assimilável, dia a dia, pelos historiadores.
Há quatrocentos anos é o português transformado pelo clima... Até que ponto tem chegado esta modificação?
 Não creio que haja quem possa responder. Só daqui a três mil anos será talvez possível ao futuro historiador dizer qual a deformação produzida nos arianos pelo clima deste país.
 Mas então provavelmente esta terra terá passado por uma dúzia de mutações históricas, como a Grécia, como a Itália, como a Gália, como a Espanha, como a Bretanha. Ela provavelmente não será mais o Brasil, quero dizer, não será a terra da atual nação brasileira...
O povo atual se obliterará provavelmente nas raças absorventes do Norte, nos anglo-saxônios e germânicos, por exemplo.
Na luta pela posse da terra não sei se os povos que nos obstinamos a chamar latinos estarão livres de outras invasões, à guisa das operadas no começo da Idade Média. Parece-me que não.
Haverá talvez só uma diferença: é que a invasão moderna vai-se fazendo lentamente pela colonização.
Não sei o que será dos povos fracos da América do Sul, quando os Estados Unidos e a Alemanha tiverem noventa ou cem milhões de habitantes e sentirem necessidade de despejar gente para as zonas meridionais.
Oxalá que nesse tempo tenhamos um povo feito e resistente, capaz de absorver aquelas sobras, sem perder a sua individualidade.
Em todo caso, o que a história então há de consignar com segurança é aquilo que hoje em dia já ela determina, isto é, as mutações e mesclas das raças. A ação do clima não poderá ser seguida passo a passo.
Em nossa história de quatro séculos não sei que diferenças tenha o meio produzido no caboclo, no negro e mesmo no português. O que noto a olhos nus é o mestiço.
Este é o brasileiro por excelência, é o agente em torno do qual faço mover a nossa história literária e política. E nele evidentemente influi muito mais o contato das raças do que a ação do clima.
Esta é longínqua, apreciável a largos espaços e de dificultosa determinação, até no próprio futuro.
Suponhamos que, daqui a mais quatrocentos anos, as três raças primordiais de nossa população tenham-se entrelaçado completamente; que não haja mais caboclos puros nem negros puros; que uma sabiamente dirigida corrente de imigração branca nos tenha vindo ajudar nesta obra da obliteração das cores escuras; que o tipo brasileiro seja então bem caracterizado; qual será aí a obra da seleção étnica e qual a da seleção do meio?
Por certo a primeira será mais profunda.
Há, além de tudo, uma razão peculiar ao Brasil e é esta: o clima aqui nada tem mais a mudar no índio e no negro, que já são obras da zona tropical, nada quase terá mais a fazer com o mestiço, o genuíno brasileiro, que recebe dos dois povos tropicais os elementos de resistência.
Determinada assim a influência do fator etnológico, resta marcar, na obra da seleção étnica, o mestiçamento, quem mais tem contribuído; se o índio, ou se o negro. O Dr. Araripe ainda aqui se mostra em desacordo, dando a preferência ao caboclo. No livro sobre seu parente, José de Alencar, referindo-se ao incontestável predomínio dos mestiços de negro e branco entre nós, doutrina evidentíssima, por mim sustentada, veio ele com umas reduções, não de todo firmadas nos fatos.
Devo citá-lo para ser claro:
 “Com igual precipitação em um recente trabalho, aliás notabilíssimo, sobre a Poesia popular no Brasil, foi ele levado a dar ao elemento africano maior preponderância no nosso desenvolvimento estético.
Digo precipitação, porque o crítico não teve tempo de lembrar-se que, para decidir esta questão, seria necessário dividir primeiro o Brasil em zonas.
No Pará, Amazonas, Ceará e Rio Grande do Norte, por exemplo, o elemento negro é quase nulo; tudo cabe ao indígena; as influências daquela raça apenas chegaram ali por contragolpe.
No Rio de Janeiro, Bahia e Minas, é onde pode ter lugar a aplicação do negrismo em toda a sua plenitude.”
Não se trata de aplicação de negrismo; trata-se de determinar a formação dos brasileiros como um povo à parte, distinto do português, e, para isto, buscam-se os fatores da operação.
O português entrou em uma evolução de diferenciação de seu tipo originário pela ação meio físico, do negro, do índio e das correntes estrangeiras. É o fenômeno complexo que se quer determinar e não somente a estética do brasileiro, ou a aplicação do negrismo... expressão injuriosa e de mau gosto.
Pondo em balanço a influência do negro e a do índio, sou levado, pelos fatos, a dar a preponderância àquele contra este.
No Brasil só as extremas terras das fronteiras é que abrem uma exceção positiva. São as províncias pouco povoadas do alto norte e do oeste, onde o índio comporta ainda inútil e donde será expelido, logo que o branco e o negro ali penetrarem amplamente. É o caso do Amazonas, Mato Grosso, e, até certo ponto, de Paraná, Goiás e Pará. Do Rio Grande do Sul o índio tem desaparecido, mas ali o branco predomina.
A mestiçagem com o negro entra na fórmula que tracei: Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, S. Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e o próprio Ceará e Piauí.
Ainda mais: a influência etnográfica da mestiçagem do negro com o branco tende a ganhar terreno nas províncias em que o caboclo ainda vive mais ou menos desassombrado. A colonização do Brasil vai de leste para o poente e a vez de renderem-se os últimos redutos do caboclo há de chegar. Não há precipitação de minha parte; há apenas a consignação de fatos positivos.
Onde é, entre nós, maior a população, maior é a mestiçagem de origem africana e portuguesa. Bem se vê que o alto norte e o longínquo oeste ficam fora da fórmula.
O fato do predomínio no Brasil povoado da população oriunda do mestiçamento das raças branca e negra tem sido contestado acremente e é, pois, necessário insistir para estabelecer a verdade.”
O Dr. Araripe Júnior tem neste ponto sido um constante adversário, cujos argumentos merecem sério e detido exame.
 Minha afirmação foi sempre esta: no Brasil a maior parte da população é de mestiços; entre estes, no corpo colonizado de nosso solo, predomina a mestiçagem áfrico-lusitana, e são uma exceção apenas as regiões do alto norte e do extremo ocidente, onde o caboclo puro e ainda mais ou menos abundante e donde será expelido o quando o branco e seu auxiliar negro ali penetrarem amplamente.
Nas regiões povoadas, próximas das zonas extremas do norte e oeste, o mestiçamento do branco e índio é talvez igual ou um pouco superior ao do branco e negro. Mas isto é a exceção; o resto do país entra plenamente na minha fórmula.
O fenômeno que hoje se passa diante de nossos olhos depois de quatrocentos anos da descoberta é eloquentíssimo. O índio desapareceu de toda a região verdadeiramente povoada do Brasil ante a concorrência do branco e do negro. Morreu, sumiu-se, em parte obliterou-se nos cruzamentos.
Sob este ponto de vista, o Brasil pode ser dividido em três seções:
  1. Estados donde o selvagem puro desapareceu já totalmente, deixando alguns descendentes no mestiçamento geral;
         b) Estados onde ele existe puro em pequenas levas acantoado em regiões desertas e tem alguns representantes no mestiçamento;
         c) Estados onde existe puro em número pouco considerável internado em desconhecidos recessos, e em número mais considerável desfigurado nos cruzamentos.
 No primeiro caso estão as províncias do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.
Na segunda hipótese estão Santa Catarina, Paraná, S. Paulo, Minas, Bahia, Espírito Santo, Piauí e Maranhão.
Na terceira acham-se Pará, Amazonas, Mato Grosso e Goiás. Eis aí os vinte Estados da República.
A fórmula é, pois, aplicável a todo o país; menos às fronteiras do norte e do oeste, que, mais tempo menos tempo, acabarão por entrar na regra geral.
[...]
O índio brasileiro está condenado à sorte dos povos da Polinésia. Ali não só o homem desapareceu ante o concurso europeu, como ainda desapareceram algumas espécies animais e até vegetais com a introdução das espécies estrangeiras. É fato provado por centenas de viajantes e que M. de Quatrefages pôs a limpo na Revista Científica de Paris, de 9 de junho de 1877.
O índio não é ainda plenamente entre nós um objeto de ciência; é antes, e acima de tudo, um assunto de poesia. Exceção feita dos trabalhos linguísticos de Batista Caetano, alguns estudos de Couto de Magalhães e Carlos Hartt, sob o ponto de vista etnográfico, tudo o mais que no Brasil se tem escrito à conta do selvagem, e sem mérito absolutamente.
E se a questão é de amor para com as raças que constituíram o nosso povo, por que motivo não se estuda o negro, como se estuda o índio? Por que motivo em nosso Museu não há uma seção africana? Por que não se investigam as línguas dos negros, sua poesia, seus contos anônimos, seus usos e costumes, suas adagas e festas, suas idéias religiosas, etc.?
É que para esta enormíssima injustiça contribui com toda a sua força a massa imensa do prejuízo nacional... Ninguém tem a coragem de estudar o negro para não passar por eivado de casta... Esta é a questão e, muitas vezes, o maior defensor do índio contra o negro é o pardo evidente e carregado!
É ainda um resíduo do romantismo. O Dr. Araripe, folgo em reconhecê-lo, não participa grandemente da mania indiana.
Hoje defende o caboclismo mais por uma tradição da escola a que pertencera em sua puerícia literária do que por uma preocupação sistemática.
A verdade é, em geral, que se deseja fazer do estudo do selvagem uma especialidade. O intento pode ser em certo sentido louvável, mas tem sido improfícuo.
Não possuímos ainda a calma necessária, nem os métodos precisos para abordar o estudo das raças selvagens objetivamente, como um problema puramente antropológico ou histórico. Sonhamos ainda e sempre um Brasil tapuio.
Se na própria Europa e nos Estados Unidos os grandes estudos americanistas são ainda muito incertos; se os imensos trabalhos sobre as civilizações do México, Guatemala e Peru são na máxima parte flutuantes, como se depreende de todos os congressos europeus, o que não se dará com o Brasil, sem especialistas, sem escolas adequadas?
Dá-se o que se tem visto: hipóteses fantasmagóricas e absurdas, frases, frases e mais frases...
Ainda não há muito a Exposição o demonstrou. O espécimen pré-histórico velho de muitos milênios, pertencente, por certo, a uma raça diferente do índio do tempo da descoberta, achava-se mesclado aos espécimens dos tempos coloniais e até aos pertencentes às populações mestiçadas da atualidade!
Apesar da boa vontade do pessoal do Museu, dali não surgiu uma destas obras imponentes e decisivas que pudesse elucidar de uma vez os problemas e trevas que cercam as nossas raças selvagens. Não critico; assinalo apenas um fato.
Como quer que seja, porém, e a despeito das dificuldades, os estudos americanos, apesar de imperfeitíssimos, acham-se iniciados entre nós, protegidos pelo romantismo e em grande parte pela fatuidade nacional, que ainda adormece no ledo sonho de julgar-se indígena...
É velha mania da nobreza tupinambá de que muitos brasileiros são ainda em extremo afetados.
No tempo da Independência a moléstia chegou a seu auge, e até mulatos, como o finado Francisco Gomes Brandão, tomaram nomes indígenas.        Ele chamou-se Acayaba de Montezuma.
Um disparate, como outro qualquer.
Louvo os estudos americanos; mas como estudos, não como pasto a veleidades étnicas.
Deveríamos também iniciar os estudos africanos. O negro, espalhado pela África e América, é uma raça que oferece interessantíssimos problemas.
Muitos sábios europeus, seguindo o exemplo de Bleek, atiram-se a estas pesquisas. Façamos o mesmo. O negro e seu parente mestiço tocam o nosso povo bem de perto. Não sejamos presunçosos, nem tenhamos medo de dizer a verdade.
O predomínio aparente do indianismo na civilização brasileira é um velho prejuízo, difícil de extirpar. Causas numerosas e especiais contribuíram para arraigá-lo, e hoje ainda ele está de pé.
Estriba-se falsamente em razões literárias, históricas, geográficas e sociais. Na literatura aparece como um protesto contra os invasores; vêem-se no índio a encarnação do gênio do Brasil e o nativismo traduz no caboclismo.
Na história apela-se para o número avultado das tribos primitivas, e recorre-se a grande porção de aldeamentos dos selvagens catequizados na zona colonizada. É embalde que se demonstra serem as enumerações dos velhos cronistas inexatas, tomando eles simples denominações de famílias e de variedades de um só grupo por outras tantas tribos e nações diversas.
 É embalde que se mostra a decadência progressiva dos aldeamentos e sua extinção quase completa desde o século XVIII.
Sempre o prejuízo vai fazendo seu caminho.
Na geografia apela-se para os nomes tupis que abundam em nossa carta, sem reparar que esse fenômeno natural nada prova, além do respeito a tradição. Na esfera social o índio tem mais simpatias, deixou há mais tempo de ser escravizado e, por ser menos escuro do que o negro, é mais querido.
O caboclo é mais idealizado, mais estudado, mais conhecido.
Sonhamos um Brasil tapuio, disse eu, e não reparamos que desejamos o mal. Todas as nações americanas em que o elemento europeu não predomina, como o México, Peru, Equador e Bolívia, são as menos progressivas do continente. Não podem competir com os Estados Unidos, o Chile, a República Argentina e o próprio Brasil.
Devemos desejar que em nosso país a imensa mestiçagem da população seja habilmente reforçada pelo elemento branco. Mas historicamente é de justiça e verdade conferir ao negro papel mais eminente do que ao botocudo, ente fraco, desequilibrado e prestes a extinguir-se. É luta pela existência; o mais débil devia ser devorado. O exato conhecimento de nossas condições etnográficas facilita a compreensão dos tipos literários.
(História da literatura brasileira, Capítulo V.)

Livros


 


 

 

 




Sílvio RomeroLivros
















segunda-feira, 19 de junho de 2017

Sergipe e seu Folclore único

FOLCLORE


Sergipe guarda em sua história e tradição muito das culturas portuguesa e negra e um dos mais ricos folclores do Brasil. São inúmeras as manifestações culturais que nos remetem ao passado e garantem, no presente, uma permanente interação entre as mais diversas comunidades responsáveis pela continuidade do nosso folclore. A seguir, você fará uma viagem pelo que há de mais belo na cultura popular sergipana.

Folclore A explosão de cores e sons. Sergipe ainda guarda em seu território, principalmente nas cidades de Laranjeiras, Japaratuba, São Cristóvão e Estância e Lagarto. uma grande quantidade de grupos folclóricos originais que mantém vivas as tradições populares. Uma verdadeira explosão de cores e sons expressos em criativas cantigas, belíssimas danças e encenações. A riqueza de demonstrações da cultura sergipana permite ao visitante e aos estudiosos, a oportunidade de conhecer a arte e a festividade do povo dessa terra. Estas celebrações festivas ficam mais intensas no decorrer do ciclo natalino, nos meses que circundam as datas comemorativas do nascimento de Jesus e das festas dos Santos Reis, e no ciclo junino, marcado pelas festas de colheita e devoção aos santos São José, São João, São Pedro e Santo Antônio. O folclore sergipano é parte do patrimônio imaterial do Estado, e demonstra a capacidade criativa de seu povo em perpetuar a sua arte de brincar, cantar, dançar e representar, recriando suas tradições. 



GRUPOS FOLCLÓRICOS


 Reisado





Dança do período natalino em homenagem ao nascimento do menino Jesus. A "brincadeira" começa em dezembro e vai até fevereiro, antes da quaresma, quando se realiza o "enterro do boi" - artefato que imita a figura do boi, enfeitado por fitas e tecidos coloridos -, que só é desenterrado dias antes do período de dançar.
Vários personagens formam o grupo. Os instrumentos que acompanham o Reisado são geralmente, o violão,  sanfona, pandeiro, zabumba, triângulo e ganzá.
Um detalhe curioso é o fato de existir no estado um Reisado formado apenas por crianças. Não há registros de nada similar em todo o país.




    Parafusos


 


No tempo da escravidão, os escravos negros fugitivos roubavam as anáguas das sinhazinhas. Cobrindo todo corpo até o pescoço, sobrepondo peça por peça, saíram pelas ruas dando pulos, rodopiando... A superstição da época contribuiu para que os senhores ficavam apavorados com tal assombração e não ousavam sair de casa.
          Após libertação, os negros saíram pelas ruas vestidos do jeito como faziam para fugir dos seus donos. Nasceram assim os parafusos.



 Cangaceiros





Em 1960, foi criado, por um morador local, que é apaixonado pelo tema do cangaço, um grupo composto de 17 homens e 2 mulheres (representando Maria Bonita e Dadá), vestidos de cangaceiros que saiu cantando e dançando pelas ruas de Lagarto,  costume vivo até hoje.


  São Gonçalo




Dança em homenagem a São Gonçalo do Amarante, que segundo a lenda, teria sido um marinheiro que  tirou muitas mulheres da prostituição, através da música alegre que fazia com a viola. A dança é acompanhada por violões, pulés (instrumentos feitos de bambu), e caixa. A caixa é tocada pelo "patrão" - homem vestido de marinheiro, como alusão a São Gonçalo do Amarante. O grupo dança em festas religiosas e pagamento de promessas. É composto em suas maioria por trabalhadores rurais, que se vestem de mulher, representando as prostitutas. Um dos grupos mais apreciados pela singeleza da dança e da música.


   Taieira




Grupo de forte característica religiosa tendo por objetivo a louvação a São Benedito e a Nossa Sra. do Rosário, ambos padroeiros dos negros no Brasil. É da imagem dessa santa que se retira a coroa para colocar na cabeça da "Rainhas das Taieiras" ou "Rainha do Congo". Durante a missa na Igreja de São Benedito, em Laranjeiras e também em Lagarto, as Taieiras, grupo de influência afro, participa efetivamente do ritual cristão numa demonstração clara do sincretismo religiosos entre a Igreja Católica e os rituais afro-brasileiros. O momento da coroação é o ápice da festa que se realiza sempre no dia 06 de janeiro, nessa igreja.
Tocando quexerés (instrumentos de percussão) e tambores, as Taieiras, trajando blusa vermelha cortada por fitas e saia branca, seguem pelas ruas cantando cantigas religiosas ou não.
Este evento é definido como uma das mais claras demonstrações de sincretismo, com santos e rainhas, procissões e danças misturados num mesmo momento de celebração.

      Cacumbi




Dança realizada em homenagem aos padroeiros dos negros, São Benedito e N. Sra. do Rosário. Composto exclusivamente por homens, o Cacumbi traça uma perfeita arrumação de seus componentes no contorno e no ritmo.
A festa é rítmica, o som é marcante e o apito coordena a mudança dos passos. Chapéus enfeitados por fitas e espelhos, cores vivas e muita alegria marcam o espetáculo.  


      Chegança




Dança que representa em sua evolução a luta dos cristãos pelo batismo dos Mouros. A apresentação sempre acontece na porta de igrejas, onde uma embarcação de madeira é montada para o desenvolvimento das jornadas, em Lagarto, Laranjeiras e outras cidades também é tradição
A predominância é do azul e do branco. O padre, o rei e os Mouros (personagens da Chegança), utilizam outras tonalidades. O pandeiro é o principal instrumento de acompanhamento, eles utilizam também apitos e espadas. Bastante teatral, a apresentação completa da Chegança demora, geralmente,  60 minutos.




A  influência do Samba em Sergipe




O samba é um gênero musical e tipo de dança popular brasileira cuja origem remonta à África. Os negros escravos que chegaram a Sergipe no início do século 17 trouxeram uma bagagem cultural muita significativa, com ritmos e cânticos que aos poucos foram sendo assimilados pelos portugueses e brasileiros. Essa mistura de culturas produziu um  tipo de samba, marcado por batidas suaves e sincopadas.
Sergipe é responsável pela absorção do samba em outras manifestações folclóricas, existentes até hoje. Em várias partes do Estado, mas principalmente no Litoral Sul, grupos folclóricos como Batucada, Samba de Coco e Pisa Pólvora, são exemplos vivos da raiz mais pura do Samba.


Grupo Folclorico de Zabumba 





Zabumba é o nome popular do “bombo”, um instrumento de percussão. O termo, também, é usado para denominar o conjunto musical composta por quatro integrantes, todos do sexo masculino, conhecido como “Banda de Pífanos”. Em Sergipe, as apresentações da Zabumba acontecem em rituais de pagamento de promessas, datas comemorativas, festas religiosas e festivais de cultura popular.




       Pisa-Pólvora





batalhas de busca-pés 




Um ritual, uma dança folclórica, muito parecida com a Batucada, ambas manifestações populares com forte expressividade no município de Estância. A finalidade maior do Pisa-Pólvora é preparar a pólvora para as sensacionais batalhas de busca-pés e para os barcos de fogo, abrindo os festejos juninos da cidade.
A dança é realizada em torno de um pilão, onde estão colocados o enxofre, o salitre e o carvão, substâncias utilizadas no preparo da pólvora. Homens e mulheres costumam participar, vestidos à moda caipira, cantando e dançando ao som de ganzás, tambores, triângulos, reco-reco e porca.
O ritual é uma herança dos tempos da escravidão; os negros costumavam realizar as tarefas, dançando, pisando forte no chão e tirando versos de improviso.


    Samba de Coco





Uma dança acompanhada de cânticos, a origem é africana, mas com forte influência indígena. A marcação do ritmo é forte, feita através dos sapateados e das palmas.
Sua origem africana está ligada intimamente à formação dos quilombos. Os negros que fugiam das senzalas se reuniam em locais distantes - quilombos, e para passar o tempo ocioso cantavam enquanto praticavam o ritual da quebra do coco, retirando a “coconha” (amêndoa), para o preparo dos alimentos. No Samba de Coco, o tirador do coco, também chamado de coqueiro, é quem puxa os versos, que são respondidos pelo coro dos participantes. Os versos podem ser tradicionais e improvisados e aparecem nas mais variadas formas, quadras, sextilhas, décimas, etc.
No Samba de Coco o canto é marcado pelos instrumentos de percussão: cuícas, pandeiros, ganzás, bombos, tambores, chocalhos, maracas e zabumbas que acompanham a sanfona.
Enquanto dançam, sapateando e pisando forte no chão, os participantes batem palmas e cantam, girando sem parar, desenvolvendo passos e requebros.
A indumentária é simples. As mulheres usam vestidos estampados, com saias rodadas e cinturas marcadas, e os homens, calças comuns e camisas identicamente estampadas. Nos pés, usam tamancos de madeira que ajudam a sonorizar o ato da pisada no chão.


     Batucada




Manifestação folclórica bastante difundida no município de Estância. Os instrumentos de percussão - tambor, reco-reco, ganzá e triângulo - e o compasso rítmico das batidas dos pés são as características mais marcantes.
A Batucada é composta de 100 a 150 figurantes, homens e mulheres, que vestem indumentárias típicas do ciclo junino. Na cabeça, todos usam chapéus de palha e nos pés tamancos de madeira.


     Bacamarteiros





Costume e tradição do município de Carmópolis. Os Bacamarteiros comemoram a noite de São João (24 de junho) com dança, música e muitos tiros de bacamarte (espécie de rifle artesanal). O grupo é composto por mais de 60 participantes, entre homens e mulheres. As mulheres trajam chapéu de palha e vestido de chita, dançam sempre em círculo, enquanto os homens, que ficam atrás, vão disparando tiros de bacamarte, de acordo com o desenrolar da dança.


     Sarandaia





A Sarandaia, realizada em Capela, é a junção de dois grupos folclóricos: Zabumba e Bacamarteiros. No dia 31 de maio, à meia-noite, eles saem às ruas pedindo brindes para ajudar a compor o mastro. O cortejo invade a noite com muita gente dançando ao ritmo da zabumba e os estouros dos bacamartes.


Samba de Aboio ou Samba de Bate-Coxa




Grupo de inflêuncia negra que teve sua origem há muitos e muitos anos , quando ainda existia cativeiro.Conta seu neto FRANCISCO DA MOTA que uma menina angolana chamada TAMASHALIM ECUOBANKER foi vendida para o engenho São João, no município de Japaratuba/SE. Ela se casou e veio a ter uma filha chamada de Maria da Solidade, que por sua vez também se casou e teve três filhos, Manoel Francisco da Mota, João Francisco da Mota e Maria Benedita da Mota, que ao completar mais ou menos 10 anos de idade encontrou na margem de um tanque, uma estranha pedra e correu para casa dizendo ter encontrado uma boneca e sua avó, TAMASHALIM ECUOBANKER, tinha certos conhecimentos religiosos, lhe disse que era Iansã, à qual chamamos de SANTA BÁRBARA. Então, se passou a comemorar o Festejo de Santa Bárbara em todos os Sábados de Aleluia e em todos os Domingos da Ressurreição.

Maria Benedita veio a falecer, e a sua mãe, Maria da Solidade continuou a festejar até sua morte em 1947, a partir daí seus filhos mantiveram a tradição até 2001. A festa de Santa Bárbara, através do Samba de Aboio tem à frente José Francisco Mota de Assis e conta com a cooperação de filhos, irmãos, sobrinhos e netos. O grupo dança em roda, defronte a sua sede, no Povoado Aguada cantarolando suas músicas, e sempre tem dois participantes no meio e estes, aproximam-se e colocam peito com peito, apoiando-se mais nos ombros e ambos afastam a coxa o mais que podem e choca-se num golpe rápido, sendo que após o contato, estes se retiram convidando outros participantes para continuar a brincadeira. Durante as festividades são fornecidos pirões de carne de bode e de galinha de capoeira.


Toda Semana Santa, época de festa no povoado Aguada, em Carmópolis



O Samba de Pareia






O Samba de Pareia, segundo relatos, surgiu há mais de 300 anos entre os escravos que trabalhavam nos canaviais, como uma forma de ocupar o pouco tempo de descanso que tinham ao longo de sua jornada diária de trabalho. O nome viria do fato de ser dançado em pares.
Na Mussuca, o Samba de Pareia é dançado por mulheres. Os homens acompanham apenas como tocadores que sustentam o ritmo com dois tambores médio-graves, uma cuíca e um ganzá, tocado por uma das mulheres. O principal elemento rítmico é a pisada dos tamancos das dançadeiras que fazem toda a diferença na sonoridade e na harmonia.
Uma peculiaridade desta manifestação cultural é o fato de estar relacionada a um ritual de nascimento que vem dos antepassados, onde o grupo se apresenta para manifestar a alegria pela chegada de mais uma criança no povoado, dando-lhe as boas-vindas no seu décimo quinto dia de vida.
A Mussuca fica a 23 Km de Aracaju, capital sergipana. É uma comunidade de remanescentes quilombolas que se empenha para manter as tradições herdadas de seus antepassados, como a Dança de São Gonçalo e o Samba de Pareia.


Guerreiro

















Auto natalino, que carrega marcas do Reisado. Sobre as origens conta a lenda popular que uma rainha, em um passeio acompanhada de sua criada de nome Lira e dos guardas (Vassalos), conhece a apaixona-se por um índio chamado Peri. Para não ser denunciada, manda matar Lira. Mesmo assim, o rei toma conhecimento do fato e, na luta contra o índio Peri, morre. 
A dança é composta de jornadas - uma seqüência de cantos e danças -, que são apresentadas de acordo com os personagens de cada grupo, sendo um dos pontos culminantes a luta de espadas, travada entre o Mestre e o índio Peri. Os principais personagens do Guerreiro, além do Mestre - que comanda as apresentações -, e do índio Peri, são: o Embaixador, a Rainha, Lira, o Palhaço e os Vassalos. 
Os instrumentos que acompanham o grupo são sanfona, pandeiro, triângulo e tambor. Destacam-se os trajes coloridos e ricamente enfeitados.




Lambe Sujo e os Caboclinhos








São dois grupos folclóricos unidos num folguedo que se baseia no episódio da destruição dos quilombos 
O grupo é formado por meninos e homens totalmente pintados de preto, usando uma mistura de tinta preta e melaço de cana-de-açúcar para ficar com a pele brilhosa. Eles usam short e um gorro de flanela vermelha. Nas mãos, uma foice, símbolo de luta pela liberdade. Fazem parte do grupo o Rei", a Rainha e a "Mãe Suzana", representando uma escrava negra.
Após uma alvorada festiva, os Lambe-Sujos saem às ruas, acompanhados por pandeiros, cuícas, reco-recos e tamborins, roubando diversos objetos de pessoas da comunidade que são guardados no "mocambo", armado em praça pública. A devolução dos objetos é feita mediante contribuição em dinheiro pelo proprietário do objeto roubado.
Junto com os Lambe-Sujos se apresentam os Caboclinhos, que pintam o corpo de roxo-terra e usam indumentária indígena: enfeites de penas, cocar e flecha nas mãos.
 
A brincadeira consiste na captura a rainha dos Caboclinhos pelos Lambe-Sujos, que fica aprisionada. À tarde, há a tradicional "batalha" pela libertação da rainha, da qual os Caboclinhos saem vitoriosos.
 
O grupo musical que acompanha o folguedo é composto por ganzás, pandeiros, cuícas, tambores e reco-recos.
Hoje, a "Festa de Lambe-Sujo", como é conhecida, tornou-se uma das mais importantes da cidade de Laranjeiras, acontecendo sempre no segundo domingo de outubro.
 



Cavalhadas





As cavalhadas, tradição cujas raízes são originadas na Idade Média. Na península Ibérica, o tema está associado às lutas dos cristãos contra os mouros, às guerras de conquista na África e à devoção a Nossa Senhora de Assunção. Trazida para o Brasil, a Cavalhada mantém a tradição medieval encenando as batalhas entre os cristãos e mouros. Ocorre em vários municípios sergipanos, em diversas épocas.




Maracatu Brejão





Maracatu Patrocínio que fica no povoado Brejão dos Negros, na cidade de Brejo Grande-SE, fica localizado a 5 Km da foz do São Francisco. Tem caracteristicas únicas como Maracatu e como tradição cultural, não tem nenhuma aparente relação com o Maracatu Pernambucano, claro que os personagens são comuns, mais isso vem das Cortes de Coroação de Rei e Rainha Congo.Isso nos mostra que o Maracatu foi e ainda é muito mais amplo que pensamos, além das tradicioanis baianas, o Maracatu tem soldado, padre, noivo e noiva, tinha mateus e Catirina, Seus tambores são tocados com as mãos não com baquetas e tem uma Cuica, como a maioria das manifestações culturais de Sergipe. Com certreza essa tradição é centenária. Esse povoado é região de remanescentes de quilombo.


Quadrilha Junina




A dança surgiu na França, no século XVIII, e chegou ao Brasil no século XIX, com a vinda da Corte portuguesa. Logo, essa dança de salão, típica da nobreza, foi adotada pelo povo brasileiro e espalhou-se pelo país, transformando-se em fator de identidade cultural dos festejos juninos, sendo dançada em homenagem dos santos Santo Antônio, São João e São Pedro. Os dançarinos desenvolvem a coreografia em dois cordões, compostos por pares.




.
.
.

Fontes:

http://www.vivabrazil.com/folclore_em_sergipe.htm
Secretaria de Turismo de Sergipe
Acervo da internet Google pesquisas
documentários em geral 
domínio publico