quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

LACERTAE 1993/1994

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Cinemerne - Coisas Belas e Sujas

LACERTAE - A volta que o mundo deu


A chegada de Lampião no Inferno 
Autor: José Pacheco 

Um cabra de Lampião 
por nome Pilão Deitado 
que morreu numa trincheira 
um certo tempo passado 
agora pelo sertão 
anda correndo visão 
fazendo mal assombra 

Foi ele que trouxe a noticia 
que viu Lampião chegar 
o inferno nesse dia 
faltou pouco pra virar 
incendiou-se o mercado 
morreu tanto cão queimado 
que faz pena até contar 

Morreu mãe de Canguinha 
o pai de forrobodó 
cem netos de parafuso 
um cão chamado Cotó 
escapuliu Boca Ensossa 
e uma moleca ainda moça 
quase queima o totó 

Morreram cem negros velhos 
que não trabalhavam mais 
um cão chamado Traz Cá 
Vira Volta e Capataz 
Tromba Suja e Bigodeira 
um cão chamado Goteira 
cunhado de Satanás 

Vamos tratar na chegada 
quando Lampião bateu 
um moleque ainda moço 
no portão apareceu 
quem o senhor cavalheiro 
moleque eu sou cangaceiro 
Lampião lhe respondeu 
o moleque não sou vigia 
e não sou seu pareceiro 
e você aqui não entra 
sem dizer quem é primeiro 
moleque abra o portão 
saiba que sou Lampião 
o assombro do mundo inteiro 

Então esse vigia 
que trabalha no portão 
dá pisa que voa cinza 
sem fazer distinção 
o cabra escreveu não leu 
a macaiba comeu 
ali não se faz perdão 

O vigia disse assim 
fique fora que eu entro 
vou falar com o chefe 
no gabinete do centro 
por certo ele não lhe quer 
mais conforme o que disser 
eu levo o senhor prá dentro 

Lampião disse vá logo 
quem conversa perde hora 
vá depressa e volte já 
que eu quero pouca demora 
se não me derem ingresso 
eu viro tudo asavesso 
tóco fogo e vou embora 

O vigia foi e disse 
a Satanás no salão 
saiba vossa senhoria 
que aí chegou Lampião 
dizendo que quer entrar 
eu vim lhe perguntar 
se dou-lhe ingresso ou não 

Não senhor Satanás disse 
vá dizer que vá embora 
só me chega gente ruim 
eu ando meio caipora 
eu já estou com vontade 
de botar mais da metade 
dos que têm aqui pra fora 

Lampião é um bandido 
ladrão da honestidade 
só vêm desmoralizar 
nossa propriedade 
e eu não vou procurar 
sarna pra me coçar 
sem haver necessidade 

Disse e vigia patrão 
a coisa vai esquentar 
eu que ele vai se danar 
quando não puder entrar 
Satanás disse é nada 
convida aí a negrada 
e leve o que precisar 

Leve cem dúzias de negros 
entre homem e mulher 
vá na loja de ferragens 
tire as armas que quiser 
é bom avisar também 
pra vir os negros que tem 
mais compadre Lucifer 

E reuniu-se a negrada 
primeiro chegou Fuchico 
com um bacamarte veio 
gritando por Cão de Bico 
que trouxesse o pau da prensa 
e fosse chamar Tangença 
na casa de maçarico 

E depois chegou Cambota 
endireitando o boné 
formigueiro e Trupe Zupe 
e o crioulo Quelé 
chegou Caé e Pacaia 
Rabisca e Cordão de Saia 
e foram chamar Banzé 

Veio uma diaba moça 
com uma caçola de meia 
puxou a vara da cerca 
dizendo a coisa tá feia 
hoje e negocio se dana 
e gritou eita banana 
agora a ripa vadeia 

E saiu a tropa armada 
em direção ao terreiro 
com faca facão e pistola 
canivete e granadeiro 
uma negra também vinha 
com a trempe da cozinha 
e o pau de bater tempero 

Quando Lampião deu fé 
da tropa negra encostada 
disse só na Abissínia 
dá tropa preta danada 
o chefe do batalhão 
gritou de arma na mão 
toca-lhe fogo negrada 

Nessa voz ouviu-se tiro 
que só pipoca no caco 
Lampião pulava tanto 
que parecia um macaco 
tinha um negro nesse meio 
que brigou tomando tabaco 

Acabou-se o tiroteio 
por falta de munição 
mas o cacete batia 
nego rolava no chão 
pau pedra que achavam 
e tudo que a mão pegava 
sacudiam em Lampião 

Chega trás um armamento 
assim gritava o vigia 
trás a pá de mexer doce 
lasca os gamos de caria 
trás um birro de massau 
corre vai buscar um pau 
na cerca da padaria 

Lucifer mais Satanás 
vieram olhar do terraço 
todos contra Lampião 
de cacete vaca e braço 
o comandante no grito 
dizia briga bonito 
negrada chega-lhe o aço 

Lampião pode apanhar 
uma caveira de boi 
e sacudiu na testa dum 
e ele só fez dizer oi 
ainda correu dez braças 
e caiu enchendo a calça 
mais não digo de que foi 

Estava travada a luta 
mais de uma hora fazia 
a poeira cobria tudo 
negro embolava e gemia 
porem Lampião ferido 
ainda não tinha caído 
devido a grande energia 

Lampião pegou um seixo 
e rebateu em um cão 
mas o qual arrebentou 
a vidraça do oitão 
saiu um fogo azulado 
incendiou o mercado 
e o armazém de algodão 

Satanás com este incêndio 
tocou no búzio chamando 
correram todos os negros 
que se encontravam brigando 
Lampião pegou a olhar 
não vendo com quem brigar 
também foi se retirando 

Houve grande prejuízo 
no inferno nesse dia 
queimou-se todo dinheiro 
que Satanás possuía 
queimou-se o livro de ponto 
perdeu-se vinte mil contos 
somente em mercadoria 

Reclamava Lucifer 
horror maior não precisa 
os anos ruim de safra 
e agora mais esta pisa 
se não houver bom inverno 
tão cedo aqui no inferno 
ninguem compra uma camisa 

Leitores vou terminar 
o tratado de Lampião 
muito embora que não possa 
vos dá maiores explicação 
no inferno não ficou 
no céu também não chegou 
por certo está no sertão 

Quem duvidar desta historia 
pensar que não foi assim 
querer zombar do meu eu 
não acreditando em mim 
vá comprar papel moderno 
e escreva paro o inferno 
mande saber de Caim. 
Colaboração 
GESNER LINS Recife -PE. 
Gostou, manda um E MAIL 

 

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

A viagem para Canudos

Dias 14/15/16 de Outubro de 2016.
Texto: Gildecio Costaeira

Colaboradores: 
Gloria, Nivalda, Maria, Enoque Araujo e Padre Enoque Oliveira.


*

Expedição desbravando o Sertão, a viagem começa saído de Lagarto-SE, a Canudos-BA ( 272 Km ) , seguimos a viagem o sol não esta tão quente o clima ameno, Eu (Costaeira) Enoque Araujo e Ismael seguimos a viagem saído de Lagarto, passando em simão Dias trocando prosas e versos, atravessamos a fronteira de Sergipe e Bahia, chegamos em Paripiranga, começamos a viagem entrando no sertão. Fotos: G. Costaeira : : :
: seguimos viagem passando por plantações de milho e feijão em abundancia até chegar no Baixão da Carolina próximo a cidade de Fátima-BA,a viagem segue até a primeira parada em descemos pra compra rolinhas secas no sol em um povoado daqui de Fátima. Segui estrada até chegamos em Cicero Dantas-BA, já muda o clima mais verde a pecuária criação de gado nas fazendas " esta cidade antes se chamava "Bom Conselho" hoje Cicero Dantas-BA, aonde começou o estopim pra guerra de Canudos, onde um Juiz da cidade denunciou Antonio Conselheiro e aceitou as denúncias da Igreja, o Goverdador da Bahia, na epoca era Viana.
:Chegando em Ribeira do Pombal-BA, onde a pecuária prevalesse , cidade festeira onde tem muitos vaqueiros.
 



 

Estamos já na BR 116, que é a maior do Pais se aproximando da cidade de Tucano-BA, onde chegamos ao Buraco do Vento, que dizem os moradores locais que lá neste lugar a volante esperava Lampião entre um desfiladeiro cheio de buracos de difícil acesso, tem uma lenda aqui neste lugar que diz se aguem descer ou cair no Buraco do Vento desaparece para sempre... :

 
: Estamos em Tucano seguindo para Caldas do Jorro, onde tem uma fonte de águas termais, no meio da praça na verdade a cidade toda, dizem os moradores falam que água quente é devido uma veia vulcânica que vem das profundezas do núcleo da terra, água quente cura quem toma banho nela, em sua água contém minerais em sua composição. :

Fonte de água na praça.
 






: na estrada partimos para Euclides da Cunha-BA. muitas historias nesta cidade, nela esta o Grande defensor do povo de Canudos o Padre Enoque de Oliveira, escritos antropólogo e historiador, Criou o Movimento de Canudos desenvolveu as comunidades em defesa Movimento de Preservação na Região de Canudos. 




Enoque de Oliveira, Igreja Popular de Canudos, XXXIII - Celebração Popular Pelos Mártires de Canudos.; 


;Ensaio O desafio da "coisa publica" abaixo esta os dois Ensaios que o escritor defensor de canudos fez:

 

Da esquerda pra direita :/ Padre Enoque Oliveira. Enoque Araujo e Gildecio Costaeira 

 


mais informação : Saimos de Euclides da Cunha já depois das 14:00, em direção a Bendegó a terra do meteorito, que esta no museu nacional do Rio janeiro,
https://pt.wikipedia.org/wiki/Meteorito_do_Bendeg%C3%B3   foi encontrado em 1784 pelo menino Bernardino da Mota Botelho, filho do vaqueiro Joaquim da Mota Botelho, próximo ao riacho do Bendegó, então município deMonte Santo

Bendegó_meteorite,_front,_National_Museum,_Rio_de_Janeiro.



Chegamos no Povoado de Bendegó, de cara damos logo com sr. Manuel Travesso, o atual patrono do Museu de Canudos que fica bel nas margens do AÇUDE COCOROBÓ, la dentro do açude esta os corpos de mais de 25,000 mil, mártires que morreram na guerra de canudos , onde hoje é o lago antes era CANUDOS VELHA. na vila de canudos velha tem um antigo vilarejo de pescadores que vivem as margens do açude.


 









> Chegando em Canudos Velha
 

Belo Monte (Canudos)

Letra: Enoque Oliveira 

QUEM FOI ALL 
BUSCA O PÃO SÓ 
PODIA AMAR CAPINAR A TERRA 
ENTERRAR O GRÃO 
A GRANDEZA DO
TRABALHO UTOPIA 
DO SERTÃO BELLO MONTE 
SE AGITOU ENCANTOU 
TANTO SE DIZ A TAPERA 
SE MUDOU NO LUGAR DE 
SER FELIZ ANTONIO VIU 
ACREDITOU GUERREIROS 
MIL SÃO SALVADOR 



Canudos: área de 2.984 km², o município baiano de Canudos, localizado no Polígono das Secas e no Vale do rio Vaza-Barris,




 

Marcada por vários conflitos, a queda da Monarquia e instalação da República foi um dos momentos que mais se destacaram na história brasileira. Um desses conflitos foi a chamada Guerra de Canudos (1896 – 1897), um confronto entre a população de fundo sócio-religioso e o Exército da República. Causas Essa guerra aconteceu na comunidade de Canudos, interior da Bahia, e pode-se dizer que aconteceu por causa de vários fatores, como as graves crises econômicas e sociais em que se encontrava a região naquela época, as secas cíclicas, o desemprego e também uma onda de crença na salvação milagrosa dos cidadãos daqueles arredores, influenciados por um revolucionário chamado Antônio Conselheiro.
 

Canudos Velha
A entrada do povoado

Museo de Antônio Conselheiro


A igreja


A Estatua


Na praça

A Estatua em homenagem ao Conselheiro

A praça

O Povoado
 

A história de Canudos é magnifica transborda pesamentos faz a pessoa vivenciar tudo novamente pelos relatos, depoimentos e historias...


Bendeg'o


Estrada que segue para Nova Canudos a cidade.

A igreja moderna em homenagem ao Conselheiro, lá pinturas, objetos antigos da guerra...
Pinturas na igreja


Está pintura está no Instituto Memorial de Canudos
Aqui muitos objetos da época da guerra de Canudos


Aqui as areis tijolos

Ferramentas

Moedas e balas de fuzil


Este mapa mostra as cidades que o Antônio Conselheiro  passou.

Nestas fotos a farinha de artesanato


Aqui em frente à réplica da igreja antiga Belo Monte. Onde teve mesa redonda, com palestras, recital de poesias, apresentação de grupos folclóricos ...


Este Sr. Faz o papel de Antônio Conselheiro
Em todas as Romarias




A cruz da igreja na antiga Canudos



Está senhora é da 4° geração da família de Antônio Conselheiro lá de Quixeramobim-CE.


Na igreja com Enoque Araujo, porta e Escritor

Enoque Araujo, recitando...



Monumento na colina no alto da Serra próximo ao parque de Canudos



A escadaria com a Estatua de Antônio Conselheiro




Costaeira ea grande estatua de Conselheiro



Viva Canudos;:


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